Entre chegadas e partidas, Programa Sergipe no Mundo transforma sonhos em experiências para estudantes da rede pública estadual

Intercambistas retornam ao estado após 30 dias de imersão cultural, linguística e tecnológica, enquanto novos grupos embarcam para vivenciar experiências internacionais

Por Michele Becker

O Aeroporto Internacional de Aracaju foi tomado, neste final de semana, por abraços, lágrimas, reencontros e despedidas que traduzem uma das principais marcas do Programa Sergipe no Mundo: transformar a escola pública em ponto de partida para experiências capazes de ampliar horizontes. Enquanto as primeiras quatro turmas de intercambistas de 2026 retornaram ao estado após 30 dias de vivências em Cambridge, na Inglaterra; Sevilha, na Espanha; Lyon, na França; e Xangai, na China, um novo grupo de dez estudantes embarcou, no sábado (22), com destino a Waterford, na Irlanda, onde participará de um intercâmbio linguístico e cultural.

O movimento de chegadas e partidas reuniu estudantes, familiares, professores e representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seed), os quais acompanharam tanto a emoção dos reencontros quanto a expectativa dos jovens que iniciaram uma nova etapa da experiência internacional. Ao todo, o Programa Sergipe no Mundo contempla, em 2026, 200 estudantes e 23 professores em experiências de intercâmbio nos eixos linguístico e tecnológico.

Para a secretária de Estado da Educação, Maria Gilvânia Guimarães, o programa evidencia a força da escola pública e cria oportunidades para estudantes que apresentam bom desempenho acadêmico e frequência escolar. “É um programa que traz uma experiência diferente para esses estudantes e que mostra a presença forte da escola pública, o valor do nosso estudante e a importância de reconhecer quem tem um bom desempenho. Os estudantes que fazem parte do Programa Sergipe no Mundo têm boa frequência, têm uma boa média e, a partir daí, vivem essa experiência de imersão cultural, linguística e tecnológica”, destacou.

Segundo a secretária, o retorno dos intercambistas representa muito mais do que a chegada ao estado. “Esses meninos chegam trazendo muito mais do que malas físicas. Trazem um conhecimento muito grande, uma expectativa altíssima e uma vivência que será inspiradora não apenas para eles, mas também para as famílias e para toda a comunidade escolar”, completou Maria Gilvânia.

Reencontro marcado por afeto

Entre as famílias que aguardavam o retorno dos intercambistas estava Maria Hedenilza Mendonça, mãe de Matheus Levi Mendonça. Para receber o filho, ela preparou uma cesta de café da manhã com algumas das comidas preferidas dele, entre elas cuscuz e suco de uva. A família foi ao aeroporto para celebrar o reencontro depois de 30 dias de distância. “Foi uma saudade muito grande, muito mesmo. Mas estou muito feliz, porque foi um sonho que ele realizou”, contou a mãe.

Segundo Maria Hedenilza, o filho já desejava viver uma experiência internacional e havia tentado participar do programa no ano anterior, mas não pôde concorrer porque ainda não havia completado dois anos na rede estadual. Em 2026, ele conseguiu participar do processo e foi selecionado. Durante a viagem, mãe e filho mantiveram contato diariamente por mensagens e videochamadas. “A experiência foi muito boa. Ele estava muito feliz e, inclusive, chorou muito ontem na volta, já com saudade”, relatou.

A família de Glória Geovana, intercambista que esteve em Cambridge, na Inglaterra, também ocupou o saguão do aeroporto à espera do reencontro. O pai, Humberto Álvaro Santos Pereira Neto, acompanhou com ansiedade a chegada da filha mais velha, de 17 anos, que vivenciou, pela primeira vez, uma viagem tão distante e sem a companhia da família. “Foi muito tempo longe da minha bebezinha. Para mim, foi uma ansiedade, aquela dor no peito para ver logo, abraçar, beijar. Muita saudade, muita saudade mesmo”, revelou.

Durante os 30 dias, pai e filha mantiveram contato diariamente por videochamadas. Nas conversas, Glória compartilhava as descobertas feitas na Inglaterra. “Ela disse que foi uma coisa ímpar, maravilhosa. Foi aprendizado, a cultura inglesa que ela conheceu, os monumentos, os prédios e, principalmente, o aprendizado com o inglês. Ela disse que foi muito gratificante”, destacou Humberto. Para ele, experiências como essa podem contribuir para o futuro dos jovens e devem ser ampliadas. “Eu indicaria muito para outros pais deixarem seus filhos participarem. É muito bom esse programa do Governo”, afirmou.

Entre os estudantes que retornaram ao estado está também Ariél Gomes Ribeiro, do Centro de Excelência em Tempo Integral de Educação Monsenhor Juarez de Prata. Para ele, os 30 dias de intercâmbio foram marcados por descobertas, visitas e novos conhecimentos. “Foi uma experiência incrível. A gente visitou muitas coisas, muitas empresas, monumentos e paisagens. Foi muito bom”, contou. A viagem também representou um salto no aprendizado da língua inglesa. “Eu evoluí  meu inglês. Fui com um inglês bem básico e agora estou com um inglês bem melhor”, relatou o estudante.

Mais do que conhecer outros países, os intercambistas do Sergipe no Mundo têm a oportunidade de ampliar repertórios, desenvolver autonomia, fortalecer conhecimentos linguísticos e tecnológicos e voltar para casa com uma nova percepção sobre si mesmos e sobre o mundo. Para as famílias, ficam a saudade e o orgulho. Para as escolas, a inspiração. E, para os estudantes, uma experiência que ultrapassa os 30 dias de viagem e pode acompanhar toda a trajetória acadêmica e pessoal desses jovens. 

Fotos: Ascom Seed

   

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