Os dez estudantes mais dois professores do programa Sergipe no Mundo realizam imersões tecnológica e cultural, com encontros pedagógicos e visitas técnicas
Por Silvio Oliveira
Os alunos e professores intercambistas da rede pública estadual de ensino que participam do primeiro grupo do eixo tecnológico do programa Sergipe no Mundo tiveram as primeiras aulas na segunda e terça-feira, 27 e 28 de julho, na Fudan University, em Xangai, na China. Os intercambistas participaram de aula teórica sobre o papel da tecnologia, da IA, a utilização de modelos em nuvem e como a tecnologia pode resolver problemas reais. Eles foram divididos em grupos e terão de entregar um projeto tecnológico de resolução de um problema real até o final do curso.
Para o professor Denisson Libório, do Centro de Excelência Joaldo Vieira Barbosa, em Salgado, esses primeiros dias em Xangai têm sido uma experiência desafiadora e transformadora. Na primeira aula na Universidade de Fudan, ele contou que foi muito bom observar a metodologia de ensino, voltada para a resolução de problemas reais e para o trabalho colaborativo.
Além disso, Denisson Libório contou que os intercambistas já foram desafiados a desenvolver uma proposta de sistema/aplicativo em apenas 15 minutos e já fizeram a defesa dessa aplicação, passando por uma série de questionamentos do professor da universidade e dos participantes da aula.
“Volto de cada atividade realizado por estar participando do Sergipe no Mundo e ainda mais convencido de que investir em ciência, tecnologia e educação é o caminho para transformar a realidade dos estudantes. Está só no início e já estou convicto de que essa experiência vai trazer muitos aprendizados e ideias que poderão contribuir com a educação pública em Sergipe, beneficiando nossos estudantes e fortalecendo os projetos desenvolvidos na escola Joaldo Vieira Barbosa”, destacou.
Para a aluna Maria Heloisa Carvalho, do Centro de Excelência Monsenhor Juarez Prata, o intercâmbio tem sido uma experiência transformadora por trazer um choque de nível de tecnologia. “Ver de perto como ela faz parte do dia a dia das pessoas é inspirador. A gente consegue enxergar o futuro de forma completamente diferente”, disse.
Ainda na segunda-feira, 27, os intercambistas utilizaram o transporte público até a Nanjing Road, principal e mais famosa rua de comércio de Xangai, com passeio pelo calçadão histórico de The Bund até o cruzamento com o Templo Jing’na. Ao anoitecer, os sergipanos puderam ver a famosa vista das luzes da cidade.
Quanto à cultura, o professor Denisson destacou que todos ainda estão se adaptando, principalmente à culinária, considerada por ele o processo mais difícil, além da comunicação, visto que, em sua maioria, os chineses não falam inglês. “Eles são extremamente solícitos e utilizam tradutores para fazer a comunicação. Um outro desafio é ter que dividir calçadas de “pedestres” com motos elétricas e bicicletas. Eles são proibidos de andar nas vias e nem todo local tem faixa específica para esses veículos”, afirmou.
Na quarta-feira, 29, o Museu da Ciência e Tecnologia de Xangai, um dos espaços culturais mais visitados da China, foi ponto de encontro dos estudantes, onde eles puderam ampliar o conhecimento sobre o mundo dos robôs, a exploração espacial e a história natural e sociocultural dos chineses. A fábrica da Volkswagen e o projeto de carros autônomos da Baidu também foram experienciados pelos sergipanos.
A aluna Amanda Souza Fontes, do Centro de Excelência Monselhor Juarez Prata, chamou atenção como a tecnologia faz parte da rotina das pessoas. “A organização, as regras e a tecnologia para resolver tudo no dia a dia me fizeram sair da zona de conforto”, afirmou.
O aluno Fernnando Pádua, do Centro de Excelência Deputado Joaldo Vieira Barbosa, em Salgado, o momento mais marcante até agora foi apresentar uma startup, um aplicativo que é desenvolvido como atividade da aula. “Vem sendo muito gratificante compartilhar a ideia, explicar o propósito do projeto e receber comentários e diferentes pontos de vista de pessoas de outras culturas. Essa troca de experiências está me fazendo enxergar novas possibilidades e me motivando ainda mais a continuar inovando”, disse.
Eixo Tecnológico
É a primeira vez que alunos da rede pública estadual de ensino de Sergipe realizam intercâmbio em um país asiático, por meio do Eixo Tecnológico do Sergipe no Mundo. Participam desta experiência na China os alunos Francisco Patriota de Andrade Netto e João Pedro da Silva Carvalho (Centro de Excelência Dom Juvêncio de Britto); Fernnando Pádua de Oliveira, Gustavo Domingos Freitas Dantas, Guilherme Silva de Alencar e Luis Arthur Oliveira Santana (Centro de Excelência Deputado Joaldo Vieira Barbosa) e Matheus Castro de Souza, Ariel Gomes Ribeiro, Amanda Souza Fontes e Maria Eloisa Azevedo de Carvalho (Centro de Excelência Mons. Juarez Santos Prata), além dos professores Amilton de Azevedo e Denisson de Oliveira Libório e as fiscais Eliane Passos e Andrea Macedo.
“A tecnologia na China é única no mundo. Eles não usam os aplicativos que estamos acostumados, a exemplo da Google, Uber, Ifood. Eles têm sistemas próprios. Com isso, o desenvolvimento da indústria tecnológica chinesa é enorme e não dependente de outros países. Estamos aprendendo muito, já que os chineses também tendem a acreditar que a IA e as tecnologias irão melhorar a vida das pessoas”, definiu a fiscal da Seed no Sergipe no Mundo, Andrea Macedo.
Os próximos vinte e quatro alunos e professores do Eixo Tecnológico embarcarão para Singapura e São Francisco, no Vale do Silício norte-americano. Paralelamente ao eixo tecnológico, outros alunos também participam de intercâmbio por meio do eixo linguístico na França, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Canadá e Austrália. Ao todo, são 223 alunos e professores na terceira edição do programa de internacionalização da educação pública.
Fotos: Divulgação Seed











