Programa Alfabetiza Sergipe oferece aulas de alfabetização e assistência para comunidades do estado

Objetivo é erradicar a alfabetização entre pessoas acima dos 15 anos de idade; estudantes podem receber bolsa de até R$ 600

Autor: Alice Mendonça (estagiária)

O programa Alfabetiza Sergipe, da Secretaria de Estado da Educação (Seed), está em fase próxima de conclusão das atividades em 2026. Somente neste ano, mais de oito mil pessoas se matricularam em todo o estado, com o desenvolvimento das aulas e atividades em duas etapas. O programa também já recebeu investimento de mais de R$ 10 milhões, destinados aos alunos participantes e aos professores atuantes. Para participar, o alfabetizando não pode ter vínculo de matrícula em escolas da Rede Pública Estadual de Educação.

Criado em janeiro de 2025 pelo Governo do Estado, o Alfabetiza Sergipe tem como um dos seus objetivos alfabetizar jovens e adultos comprovadamente não alfabetizados a partir dos 15 anos de idade, proporcionando o acesso ao pleno exercício da cidadania, como consta na Lei nº 9.622, que oficializou o programa. A alfabetização busca dar oportunidade às pessoas que, no passado, não tiveram condições de aprender, assegurando-lhes o direito de ler e escrever.

Neste ano, o programa foi desenvolvido em duas etapas, divididas em semestres. No primeiro, houve o registro de matrículas em 138 turmas, distribuídas em 31 municípios sergipanos. Já no segundo semestre, foram abertas 207 novas turmas. No total, neste ano, 8.612 pessoas se matricularam, e desse total, cerca de 4.000 pessoas têm direito ao recebimento de uma bolsa.

Em investimentos, o programa tem valor total do orçamento destinado de R$ 21.000.000,00. Já o valor efetivamente executado/pago até o momento é de R$ 10.730.989,67. O programa tem bolsas remuneradas tanto para os alfabetizandos quanto para os alfabetizadores.

Bolsa remunerada

Aqueles que aderem ao programa podem verificar se têm o direito ao recebimento de uma bolsa remunerada. De acordo com a Lei nº 9.622, as bolsas são de R$ 600. O coordenador do programa, Everton Pereira, explica que esse valor é distribuído durante as quatro unidades do programa realizadas durante o ano. “Os estudantes recebem R$ 100 a cada unidade, e quando realizam a prova final, recebem mais uma bolsa de R$ 200, totalizando R$ 600. Só recebem aqueles que têm comprovação de estar no CadÚnico, e precisam ter 75% de frequência em cada unidade”, diz.

Ainda segundo a Lei nº 9.622, os professores destinados à formação recebem um valor mensal de R$ 1.200.

Busca ativa

O coordenador Everton Pereira explica, ainda, que o programa mantém parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os professores direcionados ao Alfabetiza Sergipe são selecionados pela FGV e atendem às comunidades e regiões de onde o analfabetismo entre pessoas maiores de 15 anos está mais alto. Eles fazem uma busca ativa para encontrar pessoas que precisam de alfabetização. “De porta em porta, a busca ativa é essa. A gente vai para a rádio, vai para a TV, porque aumenta o alcance, mas a busca ativa, em boa parte, é feita porta a porta”, reforça o coordenador.

Em Sergipe, segundo os censos de 2010 e de 2022, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o analfabetismo tem caído, passando de 18,4% para 13,8%. Esta última porcentagem de 2022 representa 240.415 pessoas não alfabetizadas na população com 15 ou mais anos de idade. Ainda de acordo com este censo, que é o mais recente, o grupo de idade menos alfabetizado corresponde à faixa dos 65 anos ou mais. É buscando esses alvos que a busca ativa, realizada pelo Alfabetiza Sergipe, se faz importante.

Exemplos no estado

As aulas do Alfabetiza Sergipe são praticadas, em sua maioria, no horário noturno, momento em que muitos dos alfabetizandos conseguem frequentar. Escolas do estado, espalhadas nos 31 municípios que atendem ao programa, recebem professores e alunos para a alfabetização. É o caso de Lagarto, que fica na Diretoria Regional de Educação 2 (DRE 2). O Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Dom Mário Rino Sivieri recebe o programa na cidade, coordenado por Lívia Silva.

De acordo com a coordenadora, o programa é fundamental para a promoção da cidadania para os moradores da região. “Venho acompanhando de perto a transformação na vida dos nossos alfabetizandos. Mais do que aprender e ler, com caneta e papel, eles estão conquistando autonomia, autoestima e confiança nas suas próprias habilidades”, afirma.

As alunas Rosemeire de Jesus, de 58 anos, e Givalda Maria, de 59, participam do programa. Para Rosemeire, estar estudando vai muito além de aprender novos conhecimentos. “Estou realizando o meu sonho. O programa é muito bom, porque nos ajuda a aprender. A gente nunca deve parar no meio do caminho. Precisamos erguer a cabeça e seguir em frente e nunca desistir. Toda a vida eu dizia que um dia eu iria voltar a aprender e, agora, tive a oportunidade. A gente aprende mais, se distrai mais, conhece muitas colegas. Temos brincadeiras na sala, prosas”, diz Rosimeire, que se sente feliz por receber a bolsa.

Já Givalda Maria também reforça o seu sentimento de satisfação em participar do programa. “Estou gostando muito de estudar aqui no ‘Dom Mário’. Era o meu sonho. Eu sempre pensei em estudar à noite, só que eu não tinha a oportunidade. E agora eu achei. Tô adorando e não quero parar, não”, reforça. Ela também destaca a importância da bolsa que recebe. “A bolsa é importante porque ela ajuda. A gente aprende muita coisa, se diverte e é o conjunto todo da obra”, diz.

Atividades lúdicas são realizadas durante as aulas, o que ajuda a tornar o ambiente de estudos mais leve e confortável para os estudantes. Os professores ensinam conteúdos de alfabetização e reforçam a educação com o resgate do direito a ler e a escrever de pessoas que não tiveram essa oportunidade no passado.

Fotos: Arquivo Seed

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